Archive junho 2020

A PANDEMIA NO MERCADO FINANCEIRO

Como as medidas do Governo e do Banco Central estão influenciando os investimentos brasileiros

Por Renan Hamilko, sócio fundador da Allez Invest

Existe uma premissa no mercado financeiro de que os investimentos antecipam os efeitos de uma crise econômica ou política, o mesmo também acontece no momento de recuperação. Por isso, as Bolsas de Valores de todo o mundo já estavam sentindo as implicações que a pandemia provocaria nos países, mesmo antes dos primeiros casos serem registrados fora da China, Itália e Estados Unidos. Com a intensificação da crise sanitária mundial, somada a instabilidade política e o colapso do petróleo com os desentendimentos da Arábia Saudita e Rússia, a Bolsa brasileira deixou de registrar os recordes acima dos 100 mil pontos, para dar lugar aos recordes de circuit breaker (ação que leva a Bolsa a suspender as transações após expressiva queda dos ativos, para conter os ânimos dos investidores). 

E foi em meio a este turbulento cenário, que os investidores e as empresas cobravam medidas econômicas para aliviar o mercado financeiro. Algumas foram bem aceitas, outras ainda são aguardadas. As primeiras medidas anunciadas pelo Governo estavam relacionadas a injeção de crédito para que a economia continuasse girando, como o Auxilio Emergencial, liberação antecipada do décimo terceiro para aposentados e o apoio aos trabalhadores que tiveram seus salários reduzidos em virtude da pandemia. Já para as empresas, o objetivo era ajudar a manter a liquidez no caixa, facilitando o acesso a empréstimos bancários e suspendendo o pagamento de algumas alíquotas, como as contribuições previdenciárias.

Para os investidores, a votação da PEC do Orçamento de Guerra, no Congresso Nacional, é uma das medidas aguardadas. Por meio da iniciativa do Banco Central, uma das propostas do projeto é a compra de títulos públicos e privados pelo Tesouro Nacional para ajudar as empresas. A PEC propõe uma estratégia de estímulo que visa aumentar o dinheiro em circulação, equilibrando a balança da antiga lei de mercado de oferta e procura. A proposta do BC foi baseada em modelos já implantados em outros países, durante crises ou estagnação econômica, dentre eles Estados Unidos e Japão. Outro fator que está na mira do mercado financeiro é a taxa Selic, que tem previsão de terminar o ano em 2,50%, o que vai continuar impactando a renda fixa e fará com investidores tenham que buscar novas estratégias para manter a rentabilidade.

As ações do Governo, definitivamente, não vão resolver o problema do Brasil em relação ao mercado financeiro, mas é vista com bons olhos pelo investidor, que busca segurança no país onde o seu capital está alocado. Além das medidas adotadas por cada federação, outra receita básica para quem está no segmento e a soma da paciência com a cautela. Nesse momento a recomendação ainda é a de não tomar decisões no calor do momento, principalmente nas quedas, mas sim conhecer o histórico de cada investimento e saber que, mesmo para perfis mais ousados, o momento requer uma estratégia prudente e segura.